MUNDO Novo processo

EUA denunciam Maduro e esposa por conspiração para cometer tortura

Nova acusação formal apresentada em Manhattan soma-se aos crimes de narcoterrorismo e tráfico de drogas; casal permanece preso no Brooklyn aguardando julgamento marcado para junho de 2027

08/10/2026 16h19
Por: Allyson Leguizamon
EUA denunciam Maduro e esposa por conspiração para cometer tortura

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos apresentou nesta quinta-feira (8) novas acusações criminais contra o ex-presidente da Venezuela Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, por conspiração para cometer tortura. A denúncia foi protocolada na Corte Federal de Manhattan, em Nova York, e se soma às acusações anteriores de narcoterrorismo, tráfico de drogas e posse de armas que o casal já enfrentava desde que foi capturado por forças militares americanas em Caracas, em 3 de janeiro deste ano .

Segundo o documento judicial, Maduro e Flores estariam no topo de um sistema de repressão que utilizava violência contra a oposição política, detenções arbitrárias e tortura de prisioneiros, incluindo cidadãos americanos. Os promotores afirmam que o casal agiu para "se perpetuar no poder" e "reprimir e punir a oposição política" .

Métodos de tortura descritos na denúncia

A acusação formal descreve em detalhes os métodos de tortura supostamente empregados sob o comando de Maduro. Entre os procedimentos listados estão choques elétricos, asfixia, estupro, nudez forçada, isolamento prolongado, privação de alimentos, celas de castigo e tortura psicológica — esta última incluindo ameaças de matar familiares das vítimas, inclusive crianças .

Um dos casos citados envolve um oficial militar venezuelano detido em 2013 sob suspeita de planejar um golpe. Segundo os promotores, ele foi interrogado por agentes da inteligência militar enquanto recebia cerca de 20 choques elétricos com um fio energizado e era pendurado pelos pés e mãos por vários minutos .

Outro caso mencionado é o de um cidadão americano detido em 2022 ao entrar na Venezuela. Ele foi acusado de conspirar para assassinar Maduro e, conforme a denúncia, foi torturado por agentes militares com espancamentos e choques elétricos nos braços, pernas e genitais, além de ter sofrido injeções forçadas de uma substância que lhe causou convulsões .

A denúncia também atribui a Cilia Flores um papel central na estrutura repressiva. Segundo os promotores, ela ordenava que pessoas fossem torturadas e recebia informações sobre o tratamento aplicado a prisioneiros específicos, agindo dessa forma para proteger familiares envolvidos em atividades ilegais .

Captura e situação atual

Maduro, de 63 anos, e Flores, de 69, foram capturados em uma operação militar noturna realizada pelas forças armadas americanas em Caracas, em 3 de janeiro. A ação encerrou os 13 anos de governo socialista de Maduro na Venezuela. Desde então, o casal está detido no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, em Nova York .

Após a captura, a então vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o poder interinamente. O governo de Donald Trump reconheceu Rodríguez como chefe de Estado interina em 5 de março, e desde então Washington tem estreitado relações com o novo governo venezuelano .

Defesa nega acusações e alega imunidade

Maduro e Flores se declararam inocentes de todas as acusações. A defesa do casal argumenta que eles possuem imunidade como presidente e primeira-dama de um país soberano, pedido que foi rejeitado pela Promotoria. Maduro descreveu a si mesmo como "prisioneiro de guerra" e classificou sua captura como um sequestro .

Nesta quinta-feira, Cilia Flores compareceu ao tribunal para pedir que seja transferida para prisão domiciliar por motivos de saúde. Seus advogados alegam que ela sofre de problemas cardíacos, perdeu 11 quilos na prisão e pode ter sofrido um pequeno infarto em julho. A defesa propôs que ela seja transferida para uma residência na área de Nova York com segurança privada 24 horas .

A Promotoria se opõe à libertação, afirmando que Flores representa "risco extremo de fuga" e perigo para o público, incluindo possível intimidação de testemunhas. O juiz Alvin Hellerstein ainda não decidiu sobre o pedido .

Julgamento marcado para 2027

O julgamento do casal está previsto para começar em 1º de junho de 2027. Se condenados pelas acusações de narcoterrorismo, Maduro e Flores podem enfrentar pena de prisão perpétua. As novas acusações de tortura se somam a esse cenário, ampliando a pressão sobre o ex-líder venezuelano, que também é investigado pelo Tribunal Penal Internacional por supostos crimes contra a humanidade .

A advogada de Maduro, Barry Pollack, afirmou que o cliente nega as novas acusações e aguarda o julgamento. A defesa de Flores disse ainda não ter tido tempo de revisar as novas alegações .