Pela terceira eleição consecutiva, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a surpreender — e prejudicar — seus aliados em Mato Grosso do Sul. Dessa vez, o estrago veio em forma de uma carta escrita de próprio punho, publicada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro nas redes sociais, na qual o ex-presidente declara apoio ao deputado federal Marcos Pollon (PL) como pré-candidato ao Senado pelo estado.
O gesto pegou todos de surpresa e causou uma verdadeira implosão nas pré-candidaturas já consolidadas do ex-governador Reinaldo Azambuja, presidente estadual do PL, e do ex-deputado Capitão Contar (PL). Ambos haviam sido oficialmente lançados pelo presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, como os representantes do partido na disputa pelas duas vagas ao Senado por Mato Grosso do Sul.
Agora, com a nova intervenção de Bolsonaro — mesmo estando recolhido em uma ala reservada do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, por envolvimento na tentativa de golpe de Estado —, um dos dois terá que ceder espaço a Pollon, que ganhou o respaldo público do principal líder da direita no país.
Nos bastidores, a ala mais radical do partido aposta que Capitão Contar será o escolhido para compor a chapa com Pollon. Diferentemente de Azambuja, que só se filiou ao PL no ano passado, Contar e Pollon são vistos como “puros-sangues” do bolsonarismo raiz.
O que chama atenção, no entanto, é o momento da publicação. A carta veio a público pouco depois de vazarem anotações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — pré-candidato à Presidência — nas quais ele indicava Azambuja e Contar como os nomes preferenciais para o Senado no estado. No mesmo documento, havia ainda a informação de que Pollon teria “solicitado” R$ 15 milhões para desistir da candidatura.
Ao publicar a carta nas redes logo após uma visita ao ex-presidente na Papuda, Michelle escreveu que agia “diante dos últimos acontecimentos negativos envolvendo Pollon”. O recibo soou como uma resposta direta ao enteado, Flávio, com quem ela disputa espaços de poder nos bastidores do bolsonarismo.
Um histórico de rompimentos
Não é a primeira vez que Bolsonaro deixa aliados sul-mato-grossenses na mão. Em setembro de 2022, durante um debate na TV Globo, ele surpreendeu ao declarar apoio a Capitão Contar ao governo do estado, após um direito de resposta da então candidata Soraya Thronicke. A declaração foi vista como uma traição à aliança com o PSDB, que tinha Eduardo Riedel como candidato — e que acabou vencendo a eleição. Para conter os ânimos, Bolsonaro preferiu se manter neutro no segundo turno.
Já em julho de 2024, nova virada: mesmo com um acordo firmado com a senadora Tereza Cristina (PP) para apoiar a reeleição da prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), Bolsonaro mudou de lado e fechou com o deputado federal Beto Pereira (PSDB). O resultado? Mais uma derrota. Beto não passou nem ao segundo turno, vencido por Rose Modesto (União Brasil), que acabou derrotada por Adriane na etapa seguinte.
Agora, com mais essa reviravolta, os aliados de Bolsonaro em Mato Grosso do Sul terão que administrar os estragos. Segundo apuração da nossa equipe, uma reunião deve ocorrer ainda nesta semana para definir os rumos da legenda no estado — e tentar, mais uma vez, juntar os cacos deixados pela terceira traição consecutiva do ex-presidente.
Mín. 19° Máx. 30°
Mín. 21° Máx. 31°
Tempo limpoMín. 21° Máx. 33°
Tempo limpo