Politica Confusão

Aprovada quebra de sigilo de Lulinha, e sessão da CPMI do INSS termina em pancadaria

Decisão atende a pedido da investigação que apura repasses de R$ 300 mil ao filho do presidente; aliados de Lula reagem, e parlamentares trocam socos no plenário

27/02/2026 09h58
Por: Allyson Leguizamon
CPMI do INSS aprova quebra de sigilo bancário de Lulinha.
CPMI do INSS aprova quebra de sigilo bancário de Lulinha.

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovou nesta quinta-feira (26) a quebra do sigilo bancário de Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A medida, comemorada por parlamentares da oposição, gerou reação imediata de aliados do governo, resultando em confronto físico no plenário.

O deputado Luiz Lima (PL-RJ) foi atingido por um soco no rosto desferido pelo deputado Rogério Correia (PT-MG). O parlamentar petista alegou que a agressão não foi intencional e que teria reagido após ser empurrado. "Eu reagi ao ser empurrado", justificou posteriormente. Já Marcel van Hattem (Novo-RS) anunciou que o partido acionará o Conselho de Ética contra o deputado do PT.

As investigações

O relatório aprovado pela comissão destaca como um dos elementos centrais da investigação as menções a repasses de R$ 300 mil "ao filho do rapaz", conforme conversas interceptadas pela Polícia Federal. Os investigadores apontam Lulinha como possível "sócio oculto" de Antonio Camilo Antunes, o "Careca do INSS", apontado como operador de um esquema de desvio de recursos da previdência.

Documentos anexados ao processo revelam ainda que Lulinha e "Careca" estiveram juntos em Lisboa, em novembro de 2024, e viajaram no mesmo voo, em assentos de primeira classe — com valores de passagens entre R$ 14 mil e R$ 25 mil.

As informações foram reforçadas pelo depoimento de Edson Claro, ex-funcionário de Antunes, à Polícia Federal. Ele afirmou que Lulinha recebia uma "mesada" de R$ 300 mil paga por Antunes — valor que também aparece em troca de mensagens entre o investigado e a empresária Roberta Luchsinger, na qual "Careca" menciona a necessidade de repassar a quantia ao "filho do rapaz".

Diante da repercussão, o presidente Lula declarou que, se as acusações forem confirmadas, o filho "pagará o preço". A fala é vista como tentativa de blindagem política em meio ao avanço das investigações sobre o rombo na previdência de aposentados e pensionistas.

Voto de Soraya Thronicke

A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) esteve entre os sete parlamentares que votaram contra a quebra do sigilo de Lulinha. Durante a sessão, quando foram convocados os titulares contrários à medida, a senadora levantou a mão e reagiu negativamente à aprovação. Ela não se envolveu nos confrontos físicos, mas, ao ser provocada por um colega bolsonarista, manifestou desinteresse em corresponder "às graças" do adversário.