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De marmiteiro a locador de veículos: a mágica da verba indenizatória do gabinete do vereador Fábio Rocha

De marmiteiro a locador de veículos: a mágica da verba indenizatória do gabinete do vereador Fábio Rocha

03/07/2025 10h04 Atualizada há 8 meses
Por: politicavoz
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Se a criatividade com dinheiro público fosse arte, Fábio Rocha já teria vaga garantida no Louvre. Mas o que se vê é algo bem diferente: o uso, no mínimo questionável, da verba indenizatória da Câmara Municipal de Campo Grande para alimentar um esquema que mistura marmita, aluguel de carro, publicidade relâmpago e um projeto social sob "nova direção", mas com o rosto do vereador estampado.

De marmiteiro a locador de veículos: a mágica da verba indenizatória

No dia 28 de fevereiro de 2025, o gabinete do vereador emitiu dois recibos totalizando R$ 7.650,00 para a empresa Rogbel Comércio e Serviços. O nome até soa como uma multinacional, mas trata-se de uma firma registrada para o fornecimento de alimentos. Sim, a empresa vende marmita. Mas, nesse caso, prestou o serviço de… aluguel de veículos.

É isso mesmo. Em Campo Grande, parece que carro vem com arroz, feijão e bife. O mais curioso – ou alarmante – é que a empresa pertence a Adailton Angerames Sotelo, herdeiro de um sobrenome que ficou famoso por razões nada nobres. Três familiares dele foram presos em 2015 por tráfico de drogas, segundo revelação do Midiamax. Não há acusação direta contra Adailton, mas o histórico pesa – e a escolha do vereador, no mínimo, causa espanto.

Publicidade expressa: R$ 4.500 para uma agência recém-nascida

Como se não bastasse o combo marmita + carro, Fábio Rocha resolveu inovar também na publicidade. Em março de 2025, destinou R$ 4.500 à Mídia Light LTDA, uma agência aberta em 2023, com pouca experiência, estrutura modesta e um capital social de R$ 50 mil.

A justificativa foi a “produção de conteúdos”. Quais conteúdos? Onde estão? Ninguém sabe. Mas o dinheiro público pingou. Rápida no gatilho, a agência virou fornecedora em tempo recorde. Um fenômeno empresarial ou apenas mais uma engrenagem do tal "Esquadrão do Esquema"?

Projeto social da cunhada com cara do vereador

E como num roteiro de novela mexicana, ainda há o Esquadrão da Juventude. Fundado por Fábio Rocha, hoje está em nome da cunhada. Mesmo assim, a imagem do parlamentar estampa a fachada, o Instagram e tudo mais que envolva o projeto.

R$ 50 mil em recursos públicos foram repassados para a entidade. Rocha afirma que não está mais na diretoria desde 2015. Mas como explicar a presença marcante dele em todas as peças publicitárias do projeto? Seria um "espírito filantrópico" que não desgruda?

Coincidência ou modus operandi?

Pode até ser que tudo esteja dentro da legalidade – pelo menos no papel. Mas quando contratos se repetem com empresas duvidosas, recém-criadas ou com passados familiares controversos, o sinal de alerta acende. “Onde há repetição de vínculos frágeis, é preciso investigar. O dinheiro é público e exige responsabilidade”, afirmou um especialista ouvido pela reportagem.

Cadê o vereador?

Procurado pela equipe do Política Voz, o vereador Fábio Rocha não retornou até o fechamento desta matéria. Enquanto isso, o cidadão campo-grandense assiste, estarrecido, a mais um capítulo do triste teatro legislativo, onde verba indenizatória vira moeda para negócios suspeitos, projetos de fachada e contratos relâmpago com empresas recém-criadas ou de histórico duvidoso.

A pergunta que ecoa nas ruas é direta: até quando marmita vai virar carro, publicidade vai brotar do nada e projeto social vai funcionar como vitrine eleitoral?

O espaço segue aberto para manifestação do vereador Fábio Rocha e das empresas envolvidas, respeitando o direito de resposta que foi concedido de forma antecipada pela reportagem. Mas no “Esquadrão do Esquema”, até o silêncio fala — e às vezes, grita.